Olhos de ver


Naqueles dias, nós já não eramos mais "nós", mas a amizade que nos uniu sempre esteve e até agora continua a nos manter por perto, foi assim, que poucas palavras trocadas foram o suficiente para perceber que algo não estava bem... Fui buscá-lo, já em casa, deixei-o falar, acho que ele precisava... mas também percebi que ele estava fazendo voltas e voltas... então, com a cumplicidade que só dois amigos possuem, comecei a expor minhas "observações"... 

Não precisou muito para que eu visse a primeira lágrima, comprida, sentida, rolar em sua face... Aquele olhar...

Me cortou o coração vê-lo naquele momento... um cara tão bonito, que desconhece sua própria força e tamanho, de repente se sentindo tão pequenino na minha frente, tão desprotegido... Que merda, como podemos deixar que nos façam acreditar que não somos bons, que não podemos, que não temos direito...

O abraço foi natural, acolhe-lo em meus braços era o que eu podia fazer e acho que era o que ele mais precisava naquela momento! 

Ele saiu melhor do que chegou naquele dia, fiquei feliz por ele, fiquei feliz por ter ajudado, talvez tenha sido nosso último "grande" momento juntos... 

mas isso é "causo" para outro pensamento solto... kkk




Ao ajudá-lo, procuro olhar minhas próprias experiências, procuro oferecer a ajuda que um dia recebi, mas confesso que muitas vezes me questiono se, mesmo com as melhores intenções, faço bem...

Ao indicar um caminho ou mesmo apoiá-lo em um momento de dúvida, será que não queimo uma etapa em seu desenvolvimento?! Sem querer me dar mais importância do que realmente tenho, sei que foi com uma ajuda minha, que algumas coisas mudaram em sua forma de relacionar com a família e até mesmo frente algumas questões que ele tinha...

Em minha defesa... ainda que muitas vezes o tenha ajudado a tomar decisões que acabariam por levá-lo a se afastar de mim, acredito que a pureza dos sentimentos que sempre nutrimos um pelo outro, que um dia nos uniu e até que nos fez continuar amigos, me protege de estar fazendo algum mal a ele. Sempre tive/tenho muito cuidado para não induzi-lo a uma escolha, sempre procuro pontuar outros pontos e, quando necessário, muitas vezes puxei-lhe as orelhas... 

Mas, confesso que já não tenho lá muitas certezas nesses tempos... tenho dúvidas! Muitas dúvidas!!!

Enfim, pensamentos soltos...

Que possamos fazer dessa uma grande semana... "vamos que vamos"! ;)

2 comentários:

Mark disse...

Que bonito, meu amigo.

Feliz semana!

um abraço.

Adriano S. disse...

Nossa! Que post denso! Vergonha das minhas escritas juvenis! (rs) Apenas um singelo aparte: não há porque se questionar se a sua ajuda “queima” uma etapa no desenvolvimento do “ajudado”. Em essência isso é bom! É quase um aprendizado duplo, onde se aponta o problema e a solução ao mesmo tempo. Óbvio que sempre depende da capacidade do outro compreender a grandeza da ajuda, concorda? E isso independe de você...

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